Uma aventura hospitalar.

Eu já havia comentado brevemente com vocês sobre o nascimento de um futuro rei, certo? Sim, certo. Olhe o post passado.

Então, após o primeiro choro real e os exames costumeiros, a rainha foi para o quarto com o futuro rei nos braços e enfim, toda aquela coisa costumeira de maternidades, que vocês devem conhecer melhor do que eu, já que eu não frequento maternidades. Tenho alergia à bebês. Não é bem uma alergia, é um certo receio. Não sei explicar, mas eles são tão frágeis, que parece que se eu encostar neles, eles quebrarão. E ninguém quer um bebê quebrado, certo? Então, sabendo que iria conhecer o bebê, me dispus à dormir cedo para que eu pudesse acordar cedo e ir ver a criança, mas uma série de fatores inesperados ocorreram (leia-se: fiquei jogando The Sims até tarde, sou dessas). Então acordei aproximadamente 13h, com a senhora minha avó, batendo na porta do meu quarto (leia-se: gritando meu nome, abrindo a janela e arrancando o edredom de cima de mim. Não importa o calor que faça, eu preciso me cobrir.)

Levantei, e como tinha plena consciência de que a visita começaria às 14h30, resolvi ligar o pc. Primeiro erro. Todo ser humano que se preze, assim que liga o computador, sabe que sua vida acaba naquele exato momento. Você esquece todo e qualquer compromisso. E eu, como me prezo, fiquei aqui. E ao olhar inocentemente para o relógio, me dei conta de que já era 13h40 e eu teria que sair de casa 14h10. Eu ainda tinha que tomar banho, fazer chapinha, me maquear… Essas coisas costumeiras de pessoas extremamente narcisistas e que são denominadas maricas.  Eu, normalmente, demoro cerca de uma hora e meia para realizar essas tarefas e tive que fazê-las em vinte minutos. E nessas horas, tudo torna-se mais difícil: a cachorra pega a calça jeans e sai correndo pela casa, a chapinha não esquenta, você perde o corretivo, não encontra o sapato… Enfim, saí de casa e subi a rua para pegar o ônibus, que passou atrasado. Depois de dez minutos, cheguei ao hospital e minha tia, avó do menino estava no oitavo andar, que por sinal, é a maternidade. Liguei para ela e pedi pra que ela descesse pra que eu pudesse subir, porque o hospital é extremamente pau no cu em relação à isso e só permite dois visitantes por pessoa. Ela então, me diz que havia acabado de chegar e que era pra eu esperar um pouco porque ela ia descer depois. Acontece que o “um pouco” da minha tia, durou duas horas e meia. Eu fiquei lá fora, e nesse meio tempo, me pediram: dinheiro, sangue, cigarro e esqueiro.

Então ela desceu para que eu pudesse subir, mas antes, tomamos um café, conversamos um pouco e compramos ~guloseimas~ para a minha prima. Mas como não pode entrar comida nos quartos, eu tive que esconder tudo na bolsa. Nunca me senti tão farofeira em toda a minha vida. Mentira, já sim, mas isso é outra história. Digamos que eu subi para ver o menino às 17h00. Só que nessa hora, Deus resolveu me sacanear e mandou, pra mim, de presente, uma ventania que bagunçou meu cabelo e fez com que eu ficasse mais ou menos assim:

Arrumei rápidamente o cabelo e me dirigi até o elevador, que estava cheio, por sinal. O oitavo andar parecia não chegar nunca, mas depois de alguns minutos, cheguei. E me perdi no caminho do quarto, como de costume.

Cheguei lá e o Vitor (o recém nascido) havia ido fazer uns exames. Aproveitei o tempo para tirar da bolsa as coisas que eu havia comprado na cafeteria e dar pra minha prima, que estava mais esfomeada que um recém chegado da Etiópia. Quando o menino chegou ao quarto, estava enrolado, parecendo um kibe, e não dava para ver quase nada dele. Eu poderia simplesmente desenrolá-lo e ver, mas esse pânico de “quebrar bebês” que eu tenho, me impediu que eu o tocasse de imediato. Quando minha prima, que havia acabado de comer e estava menos… etiopiada, ia desenrolar o pequeno kibe para que eu o visse. Eis então que toca uma campainha irritante e a enfermeira surge na porta do quarto pedindo para que todos os visitantes se retirassem pois as mamães iam jantar e amamentar seus bebês.

Saí e fiquei no corredor, com o cabelo semelhante ao da Tina Turner, à ponto de assustar todas as mamães que perambulavam com suas crianças pelo corredor, fazê-las derrubarem seus bebês e os mesmos quebrarem-se todos.

Pude, finalmente, ver o menino. Que menino lindo! Logo percebi que tinha meu sangue, por isso era tão lindo assim. Mas o garoto estava inquietamente inquieto e foi só eu pegá-lo no colo que ele se acalmou. Podem me parabenizar agora.

Passei um tempo curtindo a criança, que agora já não era mais de vidro porque eu o havia tocado e ele não havia quebrado, então ele não era mais de vidro. Eis que meu celular tocou e como meu toque é extremamente escandaloso, me retirei do quarto. Era minha tia pedindo para que eu descesse pra que ela pudesse ver o menino novamente, mas que dessa vez ela não demoraria porque ela tinha que ir embora.

Fui até o elevador, que agora estava vazio. Meu pânico já começa aí, né. Um elevador vazio é quase um cenário perfeito pra um filme de terror onde as paredes se fecham rápidamente e a pessoa é esmagada ali. Peguei toda a masculinidade intra-uterina que me restava e entrei no elevador vazio. Ele começou a balançar e… despencou, eu morri e vim assombrar vocês. Se vocês não repassarem esse blog pra 300 mil pessoas agora, um elevador vai cair na cabeça de cada um de vocês.

Mentira, não despencou, mas parou no sexto andar. Entre o sexto e o quinto, pra ser mais exata. E eu não sabia o que fazer, tive uma quase crise de claustrofobia e assim que meu cérebro me permitiu, pensei em apertar a campainha e pedir pra que me tirassem de lá. Assim o fizeram e eu desci no quinto andar. Ainda haviam mais três andares intermináveis para descer, mas mesmo assim eu desci e fui em direção à portaria. No caminho entre o hospital e a portaria, tomei chuva e todo o trabalho que eu havia feito no meu cabelo estava desfeito. Havia sido tudo em vão. Como tudo na minha vida, para falar a verdade.

Cheguei até a portaria descabelada, molhada, cansada e assustada, mas olha, valeu tudo a pena. Fui em direção ao ponto de ônibus, tomei, aproximadamente, 25 minutos de chuva e ao descer aqui, a vizinha me pára pra conversar e perguntar como estava o menino. Eu expliquei educadamente que o menino estava bem e que se tudo continuasse como está, receberia alta amanhã. Quando pensei que me livraria da vizinha, olho ao meu redor e há, pelo menos, 3 vizinhas querendo saber e me perguntando sobre as dores do parto. Como se fosse EU que tivesse tido a criança. Eu não o tive, mas gostaria de deixar bem claro que ele será como um filho para mim, porque afinal de contas, eu amo bebês, mesmo eles sendo frágeis e quebráveis, assim:

E, mais uma vez: Vitor, bem vindo ao mundo, meu futuro rei.

Vejo vocês na sexta?

You know, you love me.

xoxo, Rainha da maternidade.

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